segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Nota de Esclarecimento - CAFAR-PI

O Centro Acadêmico de Farmácia Dr Raul Furtado Barcellar (CAFAR-PI) da Universidade Federal do Piauí, vem por meio dessa nota esclarecer sobre os motivos que levaram alguns membros a realizarem intervenções no espaço físico do mesmo, o que levou ao descontentamento de parte da gestão „‟ A TENSÃO FARMACÊUTICA ‟.
Ao longo dos 20 anos de existência, o CAFAR é reconhecido e lembrado por sua participação na construção de lutas a nível local e nacional, junto à Executiva Nacional de Estudantes de Farmácia (ENEFAR). Desde então, apoia a luta contra toda e qualquer forma de opressão. Nesse contexto, torna-se inaceitável que o nosso meio reproduza MACHISMO, RACISMO E HOMOFOBIA! Muito embora, a intolerância da nossa sociedade faça alguns ainda acreditarem que essas discriminações são comuns e naturais; que não se trata de uma questão de preconceito, levando qualquer forma de reposta a ser vista de maneira errônea como vandalismo.
No decorrer dos meses de novembro e dezembro do ano de 2013, verificou-se colocações verbais de conteúdo machista e homofóbico por parte de alguns membros da gestão e de alguns frequentadores do espaço do centro acadêmico, chegando ao ponto de ser colocado algo que imita um „‟cardápio de mulheres„‟ nas paredes do mesmo. Assim, durante reunião de alguns militantes do movimento estudantil, acontecida na sala sede do CAFAR, no mês de janeiro do ano de 2014, verificou-se a reincidência de cartazes contendo „‟brincadeiras‟‟ de cunho opressor e homofóbico, gerando indignação entre os presentes, que em atitude de resposta, escreveram nas paredes do espaço palavras de ordem em defesa da igualdade de gênero e do combate às opressões, com intuito de coibir novas atitudes que naturalizem a desigualdade. 
Sendo assim, sabendo que o ocorrido foi discutido internamente no CAFAR, estamos à disposição para esclarecimentos, pois seguimos princípios de democracia e por eles pautamos nossa luta por uma Universidade de mais igualdade. Assim o nosso posicionamento é o de legitimação das intervenções contra o racismo, o machismo e a homofobia!!! 
CONTRA MACHISMO, RACISMO E HOMOFOBIA, A NOSSA LUTA é TODO DIA!!! 



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Discutindo o Movimento Estudantil - Teresina



Desde as manifestações de Junho, o debate acerca do movimento anarquista voltou a ser destaque. Observando esta realidade, o GEAPI - Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí, Núcleo Teresina, desenvolveu o evento "Discutindo o Movimento Estudantil", debaterá as contribuições do Movimento Estudantil e desenvolverá uma tese a ser apresentada no CONEUFPI (Congresso de Estudantes da UFPI). Tal evento ocorrerá dia 18.01.2013, das 09:00h às 20:00h, com almoço coletivo.

A programação segue abaixo:

Manhã
09:00h:

- Mística/apresentação
- Análise de conjuntura do movimento estudantil;
- Almoço;

Tarde
14:00h:

- Cosntrução da tese a ser apresentada no CONEUFPI (Modelo de descentralização)

Noite:
18:00:

- Cultural

Local: R. Polônia, 4460 - B. Novo Horizonte. Teresina-PI.

Organização: GEAPI - Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí, Núcleo Teresina.

ANARQUIA É LUTA!
 
link do evento aqui

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

I Overdoze - Parnaíba



Overdoze é o nome de um projeto desenvolvido pelo GEAPI – Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí, Núcleo Parnaíba, que se baseia na exibição de filmes, curtas, longas, e documentários, durante o período de 12 horas. 
A primeira edição do evento ocorrerá na sala de vídeo 02, na UFPI-Parnaíba, nos dias 31/01 e 01/02, e tem como tema “Terrorismo de Estado: Repressão e Resistência” com os seguintes horários e filmes:

Dia 31/01, Sexta-feira
16:00h-20:00h:
Ilha das flores
Impasse
Um Poquito de tanta verdad

Dia 01/02, sábado
08:00h-11:00h:
Capitalismo, uma história de amor
A Revolução dos bichos

14:00-18:00:
A batalha de Seattle
Com vandalismo
Em defesa dos black bloc’s

O objetivo do projeto é mostrar uma realidade que ocorre em todos os lugares do planeta, e em todas as épocas, desde a gênese das primeiras formas governos: A utilização de um corpo repressivo para subjugar a população.
Todos são convidados a participar!



Link do evento no facebook aqui
Mapa do local aqui

ANARQUIA É LUTA!


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Passe livre JÁ! - Teresina



Nos últimos meses presenciamos o povo brasileiro pela primeira vez em 25 anos de "Democracia" Lutar por direitos! Algumas pautas foram ouvidas, outras não,várias cidades com muita luta conseguiram alcançar melhorias em vários setores públicos, um deles o Transporte Público, algumas cidades conseguiram reduzir o preço da passagem, outras com mais luta conseguiram o PASSE LIVRE!
Aqui em Teresina-PI, os Moradores sofrem bastante com o sol nas paradas precárias, ônibus sucateados, e a demora pela pequena frota de ônibus, todos os anos a passagem só aumenta empobrecendo assim a classe operária, que necessita do serviço, nos últimos anos a passagem vem aumentando absurdamente, e a exploração é cada vez maior, inclusive o SETUT esta lutando com todas as forças pra um possível aumento na capital! Não podemos deixar que isso aconteça! Temos que lutar pelos interesses da juventude e da sociedade como um todo! Queremos Convocar tod@s os estudantes e trabalhador@s de Teresina para o "PASSE LIVRE JÁ!" Dia 25 de Janeiro as 16:00 Em Frente ao Hiper da Frei Serafim, para mostrar que o povo tem vez e tem VOZ!

link do evento aqui
Texto de Ian Gustavo

domingo, 5 de janeiro de 2014

Carta de Piotr Kropotkin a Vladimir Illich Lenin (21 de dezembro de 1920)



Esta correspondência resultou de uma entrevista em 1919 entre Kropotkin e Lenin em Moscou, no curso da qual este pediu a Kropotkin para escrever-lhe a qualquer momento. A saber, essa carta não foi respondida. Nesta carta, o pensador anarquista denuncia a dura repressão ideológica que estavam realizando os bolcheviques.

Respeitável Vladimir Illich:

Já apareceu a notícia, nos jornais Izvestia e Pravda que dá a conhecer a decisão do governo soviético para tomar como refém alguns membros dos grupos de Savinkov e Cherkov do Partido Social Democrata, do centro tático nacionalista dos guardas brancos, e os oficiais Wrangel, para que, se for feita uma tentativa de assassinato contra 108 líderes dos soviéticos, serão "exterminados sem piedade" esses reféns.

Realmente não tem ninguém perto de você que lembre aos seus camaradas e lhe convença de que tais medidas representam um retorno ao pior período da Idade Média e as guerras religiosas, e é totalmente decepcionante para as pessoas que se inclinaram para a criação da sociedade, em consonancia com os princípios comunistas? Qualquer pessoa que ame o futuro do comunismo não pode lançar-se para alcançá-lo com tais medidas.

Será possível que ninguém explicou que realmente é um refém? Um refém é preso não por castigo a um crime. Ele foi preso para chantagear o inimigo com sua morte. "Se você matar um de nós, vamos matar um dos seus." Mas, isto não é a mesma coisa que todas as manhãs levar o prisioneiro para o cadafalso e voltar com ele para a cela, dizendo: "Espere um pouco mais, ainda"?

E seus companheiros não entendem que isso é equivalente a uma restauração de tortura para os reféns e suas famílias?

Espero que ninguém me diga que as pessoas no poder se interessem tão pouco pelas vidas. Hoje, para citar ainda entre os reis, há algumas pessoas que contemplam o assassinato como uma "ocupação agitada". E os revolucionários, por sua vez, assumem a responsabilidade de defender-se perante os tribunais que ameaçam a sua vida. Louise Michel escolheu este caminho. Ou rejeitam o julgamento e são perseguidos, como Malatesta e Voltairine de Cleyre.

Mesmo reis e papas têm rejeitado tão bárbaro método de auto-defesa, como o que é a tomada de reféns. Como podem os apóstolos de uma nova vida, e os arquitetos de uma nova ordem social, usarem de tais meios de defesa contra seus inimigos! Será que isto pode ser considerado como um sinal de que vocês consideram que o seu experimento comunista falhou e que não estão salvando a este sistema tão querido para vocês, mas sim salvando vocês mesmos?

Será que seus camaradas não percebem que vocês, comunistas, apesar dos erros cometidos estão trabalhando para o futuro e, portanto, não devam fazer o seu trabalho de forma tão próxima ao que foi o terror primitivo? Vocês deveriam saber que precisamente esses atos, praticados pelos revolucionários no passado, fizeram das novas conquistas comunistas algo tão difícil de alcançar.

Pienso que deben tomar en cuenta que el futuro del comunismo es más precioso que sus propias vidas. Y me alegrarla que con sus reflexiones renuncien a este tipo de medidas.

Acho que devem considerar que o futuro do comunismo é mais precioso que suas próprias vidas. E me alegraria que com suas reflexões, renunciem a este tipo de medidas.

Com todas estas deficiências graves, a Revolução de Outubro tem trazido um enorme progresso. Ela tem mostrado que a revolução social não é coisa impossível, coisa que as pessoas da Europa Ocidental começaram a pensar. E que, apesar de suas falhas está trazendo alguns progressos no sentido da igualdade.

Por que então golpear a revolução empurrando-a a um caminho que a leva a sua destruição, especialmente para os defeitos que não são inerentes ao socialismo ou comunismo, mas que representa a sobrevivência da velha ordem e de antigos efeitos destrutivos da onívora autoridade ilimitada?

Com camaradagem e carinho.

Peter Kropotkin

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano novo - o que muda?



Em linhas gerais, nada. Partindo de uma perspectiva de análise histórica, sabemos que o calendário que finda no dia de hoje (31) é meramente um produto social. Lembremos que durante a Comuna de Paris, foi instaurado o Calendário da Revolução Francesa.

Porém, ao determinarmos qualquer forma de delimitação temporal, certas datas tornam-se importantes. Uma delas é o fim do ano, onde se festeja a vindoura etapa da vida que se aproxima. Mais que isso, tod@s analisam o que fizeram neste ano; conquistas, derrotas, perdas, ganhos, e projetam, a partir da experiência (negativa ou positiva), uma perspectiva do que anseiam no novo ano.

Tal balanço também nos é necessário, mas de forma coletiva. Obviamente, não alcançará a multiplicidade cultural, geográfica, populacional, ideológica e experiencial de todos os anarquistas. Tamanho determinismo seria desconsiderar a miríade de formas de ação e resistência libertária em todo o país.

É inegável. O ano de 2013 trouxe um sopro revolucionário para o país; este sopro não é novidade, uma vez que atormentou a vida dos burgueses durante a República Velha, preparou comitês antiguerra, montou ateneus, escolas modernas, organizou passeatas, grupos de estudos, jornais, panfletos, construíram barricadas, lutaram bravamente pelo que acreditavam, e, literalmente, deram o suor e o sangue pela causa. Este sopro é o sopro da anarquia, que permaneceu ativo durante todos os esses anos, em grupos, coordenações e alguns sindicatos, mas a visibilidade atingida nas manifestações foi algo surpreendente.

Temperada com bandeiras negras, molotov's, e black bloc's, as manifestações de junho abriram caminho para o (re)florecimento da ideologia revolucionária anarquista sob o solo brasileiro. Acompanhamos extasiados o ressurgimento desta corrente política, ideológica e filosófica, em meio a acusações infundadas vindo de lugares previsíveis, como os canais de TV, com suas falácias midiáticas, influenciando boa parte dos brasileiros a acreditarem em uma verdade fabricada pela voz da burguesia, usando o mesmo discurso dos jornais americanos durante o "Occupy Wall Street": Os black bloc's afastaram as pessoas das manifestações. A brutalidade do aparelho repressivo do Estado, que por onde passava, deixava um rastro de sangue, também deve ser lembrada. Enquanto que seus instrumentos de controle aperfeiçoavam-se, a população melhorava suas táticas de resistência. Há de se considerar também alguns -ditos- partidos de 'esquerda', que colaboraram significativamente para a criminalização dos movimentos mais combativos, deixando as máscaras caírem e ser percebido que o caráter reformista e eleitoreiro encobre o discurso 'revolucionário' dos mesmos. Em todas as partes do país, era possível perceber a inconformidade das pessoas com o sistema político. Afirmar que todos eram anarquistas seria no mínimo muito imbecil, mas, imbecilidade também seria desconsiderar a autonomia dos movimentos ante o discurso político-partidário, vencendo também a ferrugem das centrais sindicais tradicionais e de algumas organizações estudantis.

O ano que se aproxima traz com ele as 'negras tormentas' denunciadas pelos cânticos anarquistas advindos da Guerra Civil Espanhola; não que os outros anos tenham sido constituídos de paz e tranquilidade para os que lutam para a efetiva emancipação dos povos, porém, é inegável que o ritmo das contradições econômicas e sociais acelera-se ao passo em que os anos transcorrem-se. 

Não desconsideremos a realidade mundial; A crise capitalista dos Estados Unidos nunca foi, de fato, controlada; e embora não noticiada, a América do Norte está em um movimento tão intenso quanto o das Américas. A Europa avança cada vez mais para o colapso do sistema econômico; o risco da ascensão da besta nazifascista pode ser acompanhado na Grécia, Espanha e Portugal, principalmente; a Ucrânia, sem perspectivas de retirar-se das tensões econômicas, busca esquivar-se do já naufragado barco da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, tentando ligar-se à nau furada da União Europeia. Em países onde a crise se acirra, as proposições de Piotr Kropotkin, tornam-se reais quando afirma em seu livro, A Ajuda Mútua, um fator de evolução, que em ambientes onde as dificuldades são mais intensas, a tendência humana é de ajudar-se mutuamente; Com o início da crise, as okupações, centros de apoio e comunidades alternativas aumentaram, buscando dar auxílio, teto e alimento à imigrantes, desempregados, e formando frentes antifascistas, autogestionadas, combativas ao sistema capitalista e ao Estado.

O que urge fazer para o ano de 2014? Organização. Tornarmos ativos nas greves, associações de bairro, sindicatos, Centros e Diretórios Acadêmicos, Grêmios e outros campos. Criar grupos de debates, estudos, okupações, feiras libertárias, bibliotecas, cinematecas, etc., A anarquia só será possível com o esforço mútuo de tod@s os companheirxs. Organizemos pois, para que, munidos da teoria - e prática - libertária, possamos destruir as estruturas e ideologias burguesas. Como diz Bakunin,

“Ninguém pode querer destruir sem ter pelo menos uma imaginação distante, verdadeira ou falsa, da ordem das coisas que deveria, segundo ele, suceder à que existe presentemente: E quanto mais viva é a imaginação nele, mais forte se torna a sua força destrutiva, e mais ela se aproxima da verdade, isto é, mais conforme ao desenvolvimento necessário do mundo social atual, mais os efeitos da sua ação se tornam salutares e úteis”.

Façamos movimentos autônomos uns dos outros, porém interdependentes; autônomos, pois, em determinadas regiões do Brasil, quando o fogo das barricadas apagaram-se, apenas as fumaças recaíram sob as cidades que não estavam na confluência mostrada pelas redes sociais e mídias independentes; interdependentes no que cabe o espírito de solidariedade e internacionalismo anarquista, nunca deixando para traz um companheiro que luta ombro a ombro pela causa popular.

"Anarquizar o cotidiano para cotidianizar a anarquia"; e nestes termos, o "anarquizar" equivaleria a cada vez mais, unirmos fraternalmente, cooperativamente, e autonomamente. Enxergar em cada indivíduo o potencial positivo que o mesmo traz; lutar contra todas as formas de opressão, pois a cada passo dado à frente das desigualdades sociais, é um passo para o socialismo libertário.

Dedicamos este texto aos periféricos, aos marginais, aos oprimidos, aos desfavorecidos, aos desempregados, aos que o ‘sistema’ exclui, aos que lutam todos os dias para conseguir sobreviver na selvageria capitalista, ao trabalhador, ao campesino, aos que estão presos, e a todos os anarquistas.

Façamos de cada dia um “31 de dezembro”, sempre abrindo um leque de possibilidades para vencermos os entraves que impedem o pleno desenvolvimento das capacidades humanas: O capital e o Estado.

Resistir e lutar! Lutar pelo socialismo, e pela liberdade! Todo poder ao povo! Viva a anarquia!

Alexandre Santos - GEAPI Núcleo Parnaíba.


REFERÊNCIAS:

BAKUNIN, Mikhail. O Conceito de Liberdade. Porto: Rés limitada, 1975.
KROPOTKIN, Piotr. A ajuda mútua - Um fator de Evolução. São Sebastião: A Senhora Editora, 2006.
ROCA, André. Jovens seguem preceitos anarquistas mesmo sem saber, avalia historiador. in: notícias Terra. Disponível em: <http://noticias.terra.com.br/educacao/historia/jovens-seguem-preceitos-anarquistas-mesmo-sem-saber-avalia-historiador,78c3bd708ad5f310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html>


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Carta de Piotr Kropotkin a Vladimir Illich Lenin (4 de Março de 1920)





Esta correspondência resultou de uma entrevista em 1919 entre Kropotkin e Lenin em Moscou, no curso da qual este pediu a Kropotkin para escrever-lhe a qualquer momento. A saber, essa carta não foi respondida. Nele, o teórico anarquista denuncia a forte burocracia que estava ocorrendo na Rússia soviética, e todos os problemas que isso causou. Por sua vez, propõe que se fomente uma ampla participação das massas na vida política.

Vários empregados do Departamento Postal e Telegráfico vieram a mim com a petição que ponha sua atenção a informação sobre a desesperada situação deles. Posto que este problema não só concerne ao comissariado de correios e telégrafos unicamente, mas também a condição geral da vida cotidiana na Rússia, apressei-me a transmitir sua demanda.

Você sabe, é claro, que morar no distrito de Dimitrov com o salário que esses funcionários recebem é absolutamente impossível. É impossível até mesmo comprar um quilo de batatas com ele, eu sei disso por experiência pessoal. Em troca, eles pedem sabão e sal não há nada. Uma vez que o preço da farinha subiu, é impossível a compra de oito quilos de grãos e cinco quilos de trigo.

Em suma, sem receber provisões, os funcionários estão condenados a uma fome muito profunda. Enquanto isso, em paralelo com o aumento dos preços, os suprimentos escassos de que os funcionários de Correios e Telégrafos receberam Centro de abastecimento do comissariado de Correio e Telégrafo, as mesmas que foram acordadas referentes ao decreto 15 de agosto de 1918: 8 libras de trigo por empregado e de 5 libras para cada membro da família incapaz de trabalhar, não são enviadas de dois meses para cá. Os centros de abastecimento locais não podem distribuir o seu mantimento,e a petição que os 125 empregados da área de Dimitrov feita à Moscou continua sem resposta. Faz um mês, um dos funcionários escreveu a você pessoalmente, mas até agora não recebeu uma resposta.

Considero um dever de testemunhar que a situação desses funcionários é verdadeiramente desesperadora. Isso é óbvio para ver seus rostos. Muitos estão se preparando para sair de casa sem saber para onde ir. E, embora seja justo dizer que eles fazem o seu trabalho conscientemente; se familiarizaram com seu trabalho, e perder esses trabalhadores não será útil para a vida da comunidade local de forma alguma. Só acrescentarei que todas as categorias de funcionários soviéticos em outros ramos da obra são encontrados na mesma situação desesperadora.

Em conclusão, não pude evitar mencionar alguns aspectos da situação geral ao lhe escrever. Viver em um grande centro como Moscou impossibilita conhecer as verdadeiras condições do país. "Conhecer verdadeiramente as experiências comuns" significa que você vive nas províncias, em contato direto e próximo à vida cotidiana com as necessidades e infortúnios dos famélicos adultos e infantis que vêm ao escritório para pedir sequer a permissão para poder adquirir uma lâmpada de querosene barato. Não tem solução todas essas desventuras para nós agora.

É necessário acelerar a transição para condições mais normais de vida. Nós não continuaremos assim por muito tempo, estamos caminhando para uma catástrofe sangrenta.

Uma coisa é indiscutível. Mesmo que a ditadura do proletariado fosse um meio adequado para enfrentar e derrubar o sistema capitalista, o que eu profundamente duvido, é definitivamente negativo, inadequado para a criação de um novo sistema socialista. O que se é necessário são instituições locais, forças locais, mas elas não existem, em nenhum lugar. Em vez disso, onde quer que você vire a cabeça, há pessoas que nunca ouviram falar da vida real, que está cometendo os erros mais graves para os quais foi-se pago um preço de milhares de vidas e a ruína de distritos inteiros.

Sem a participação das forças locais, sem uma organização a partir da base dos camponeses e trabalhadores por eles mesmos, é impossível construir uma nova vida.

Pareceu que os soviéticos serviriam precisamente para cumprir esta função criar uma organização de base. Mas a Rússia tornou-se uma República Soviética só de nome. A influência dirigente do Partido sobre as pessoas, Partido que está principalmente constituído de recém-chegados ─ pois os teóricos comunistas estão, em sua maioria, em grandes cidades ─, já destruíram a influência e energia construtiva que tiveram os sovietes, esta promissora instituição. No presente momento, são os comitês do partido, e não os soviéticos, que têm a direção na Rússia. Sua organização sofre os defeitos de qualquer organização burocrática.

Para poder sair desta desordem mantida, a Rússia deve retomar todo o gênio criativo das forças locais de cada comunidade, o que, a meu ver, pode ser um fator na construção de uma nova vida. E quanto mais a necessidade de retomar este caminho seja compreendida, mais serão as pessoas estarão dispostas a aceitar novas formas de vida social. Se esta situação continuar, mesmo a palavra "socialismo" será transformada em uma maldição. Isso foi o que aconteceu com o conceito de "igualdade" na França durante os quarenta anos após o endereço dos jacobinos.

Com camaradagem e carinho.

Piotr Kropotkin



(Tradução: GEAPI - Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí. Texto original aqui)