Mostrando postagens com marcador Voto nulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Voto nulo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

POR QUE TAMBÉM NÃO VOTEI EM NENHUM DOS CANDIDATOS NO SEGUNDO TURNO?


Por Bal, anarcopunk e membro do GEAPI-Teresina


Aécio Neves.

Candidato “playboyzão”, burguês milionário, que representa os interesses dos ricos, do capital privado nacional e internacional, do mercado financeiro, das multinacionais, do FMI, do Banco Mundial, das privatizações e do imperialismo norte-americano. Predileto da imprensa burguesa que manipula toda a opinião pública no Brasil, da classe média, dos grandes grupos empresariais do país, dos latifundiários, dos grileiros, dos agroindustriais (dos fazendeiros que cantam música sertaneja, dos artistas alienados das novelas globais e dos futebolistas milionários ou que não moram no país). Em tese, um retorno de FHC e toda a sua corja ao poder. Quem gostou de FHC iria adorá-lo (http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/10/32-capas-o-brasil-dos-anos-90-e-o-governo-fhc/).
Graças ao grande investimento de banqueiros, grandes industriais e, principalmente, de incansáveis esforços da imprensa burguesa como Rede Globo, Revista Veja, Folha de São Paulo, Estadão, etc., e dos institutos que são pagos pra fraudar pesquisas ele conseguiu ultrapassar a candidata pseudo-ambientalista Marina e chegar à disputa do segundo turno.

Candidato mais nocivo que ele, talvez apenas o pastor Everaldo, que além de fundamentalista, era neoliberal declarado e tinha como proposta, escancaradamente e sem “arrodeios” nenhum, a privatização de tudo, pra acabar com tudo o que é serviço público no país e dizimar de uma vez por todas com os pobres.

Além de desvios, Aécio aumenta a sua fortuna com o dinheiro do tráfico internacional de drogas através de seu aeroporto particular construído com dinheiro público durante o seu governo em Minas que foi apelidado por seus adversários de “Aécioporto”. Em contrapartida ele foi apresentado e desenhado pela mídia burguesa como o candidato da “mudança”, aquele que exatamente refletia os anseios dos indignados nas manifestações das “jornadas de junho”, como se a população tivesse ido pegar porrada da polícia na rua só pra colocar uma carniça dessa no poder, um parasita que nunca trabalhou na vida, que nunca soube o que é sentir fome, que não sabe nem quanto é que custa um pão ou uma passagem de ônibus.

Por mais que a mídia tente mascarar, essa eleição serviu pra deixar claro o estudo político-geográfico acerca do contraste social que existe entre as regiões do país. O norte subdesenvolvido refletiu nas urnas que a maioria dos pobres beneficiados com os programas sociais votariam massivamente na candidata do PT, e contrariamente, o sul industrializado e a grande maioria daqueles que residem no exterior votaria expressivamente no candidato Aécio. 

(http://acritica.uol.com.br/noticias/Dilma-Norte-Nordeste-Aecio-regioes_0_1237676229.html)

(http://g1.globo.com/politica/eleicoes/2014/blog/eleicao-em-numeros/post/aecio-foi-o-mais-votado-no-exterior-com-7702-dilma-teve-2298-dos-votos.html)

Denúncias gravíssimas de bandidagens que estão diretamente relacionadas ao candidato:

1. O roubo de R$ 4,3 bilhões da saúde:

(http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/05/aecio-neves-sera-julgado-por-desvio-de-r43-bilhoes-da-saude-2.html)

2. O pagamento de US$ 269 milhões de dívidas da Rede Globo referente à compra da Light com dinheiro público desviado do Estado de Minas:

(A matéria do NovoJornal de MG foi tirada do ar, tinha como título "Governador de Minas, Aécio Neves, paga US$ 269 milhões de dívidas da Rede Globo de Televisão na compra da Light")

(http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/o_governo_mineiro_e_a_globo)

(http://www.jornali9.com/noticias/aecio-neves-pagou-us-269-milhoes-de-dividas-da-rede-globo-de-televisao)

3. Construção de aeroporto particular com dinheiro público que custou R$ 14 milhões e fica na fazenda de seu tio:

(http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/07/1488587-governo-de-minas-fez-aeroporto-em-terreno-de-tio-de-aecio.shtml)

(http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/governo-de-aecio-fez-aeroporto-particular-de-r-14-milhoes)

(http://noticias.r7.com/minas-gerais/governo-de-minas-pode-pagar-r-34-milhoes-por-terreno-de-tio-avo-de-aecio-26072014)

4. Aeroporto particular que é usado pra rota internacional de tráfico de drogas:

(http://www.jornali9.com/noticias/denuncia/aeroporto-de-aecio-neves-era-usado-para-rota-internacional-de-trafico-de-drogas)

(http://www.jornali9.com/noticias/denuncia/aecio-neves-e-um-narcotraficante-perigosissimo-denuncia-policial-de-minas)

É desnecessário perder tempo falando desse elemento, “mais sujo do que pau de galinheiro”, porém, o que mais me intriga nesse candidato eram dois argumentos que ele sempre usou pra enganar otário em sua campanha:

1. Aécio Neves conseguiu 92% de aprovação em seu governo de Minas Gerais.
- Como isso é possível se ele não consegue nem obter maioria dos votos nesse Estado?
- Como isso é possível se nenhum candidato até hoje teve tamanho índice de aprovação, nem mesmo aqueles que já conseguiram vencer no primeiro turno?
- Quem fez esse estudo ou pesquisa? 
- Por que a fonte nunca era citada? 
- Por que ninguém nunca questionava a fiabilidade dessa fonte, mesmo após a derrota no primeiro turno?

2. O Estado de Minas Gerais tinha a melhor educação fundamental do país.
- Como é isso possível para um governo que nem sequer paga o piso salarial para valorizar o docente?
- Como isso é possível se durante a sua gestão ele nunca fez concurso público para professor e sempre preenchia as vagas de serviços públicos sem concurso e com temporários não concursados?
- Por que ele não falava a respeito da educação no ensino médio, já que esse sim é que é de competência do Estado?
- Como pode um governo querer se promover através de uma suposta boa educação fundamental ao mesmo tempo em que negligencia o ensino médio?
- Quem fez esse estudo ou pesquisa?
- Por que a fonte nunca era citada?
- Por que ninguém nunca questionava a fiabilidade dessa fonte?

Por que não dar voto estratégico na Dilma?

1. Corrupção:
É perda de tempo falar sobre corrupção nos governos do PT, pois que a população tome conhecimento ou não quando acontece, isso é e sempre foi uma prática comum de todos os políticos por profissão e partidos que chegam ou chegarão ao poder, simplesmente porque o poder é inevitavelmente um mal que corrompe e corromperá sempre a qualquer um que chegar até ele, com o PT não poderia ser diferente, a diferença é que parece que eles ainda não aprenderam a roubar direito, muitas vezes são descobertos.

2. Partido capitalista reformista:
O PT é um partido que defende o capitalismo, como todos os outros também que veem as eleições como uma possibilidade de mudança não passam de reformadores do capital. Basta conhecer os seus “programas de governo” ou assistir as suas campanhas e aos debates políticos. Todos eles discutem apenas qual é a melhor forma da administrar o capitalismo, só discutem sobre e dentro da perspectiva do capitalismo, são todos reformistas.

3. Fim da oposição ao Estado, aparelhamento e inoperância de centrais sindicais, entidades estudantis e movimentos populares:
Com a vitória do PT, diminui a possibilidade de uma real mudança, não havendo ou enfraquecendo a oposição, os sindicatos e entidades se transformam, ou melhor, permanecerão como simples secretarias do governo, protelando as deflagrações de greves ou da possibilidade de uma verdadeira luta revolucionária contra o Estado. Em outras palavras, o peleguismo se prolifera livremente dentro dos movimentos populares.

4. Domando a classe trabalhadora:
Os programas assistencialistas que dão migalhas aos pobres dão uma leve sensação de diminuição da desigualdade social e impedem que muitos pobres se submetam às condições mais desumanas e humilhantes de trabalho, mas por outro lado, os trabalhadores se tornam acomodados, desinteressados da luta por mudanças, pois os paliativos maquiam a crise do capital e funcionam como uma anestesia para o seu sofrimento diário. Não foi a toa que Roma conseguiu prorrogar a sua destruição através da velha política do pão e circo.
O Brasil é um barril de pólvora prestes a explodir, se caso algum governo, de repente acabasse com o bolsa esmola, o país se tornaria um Haiti. Os trabalhadores sempre estiveram cansados da exploração de seu trabalho, mas não sabem de quem é a culpa ou contra quem reagir, ou simplesmente se revoltam uns contra os outros, causando o constante aumento da violência no país, pois desde as primeiras décadas do século passado que não possuem mais consciência de classe para poder canalizar a sua revolta contra a classe dominante.

5. Dilma é uma pelega: 
Quem é a candidata Dilma? Uma ex-guerrilheira, ex-revolucionária, uma pessoa que no passado arriscou a própria vida lutando contra as injustiças da ditadura militar, que por isso foi presa, torturada e humilhada. Atualmente é uma capitalista, vendida ao atual sistema, que faz aliança política com grandes empresários e que renega a todo o seu passado de luta, que envia a mesma polícia que a torturou para prender e reprimir violentamente as greves e manifestações que ela participava na sua época de militante. Resumindo, hoje, uma pelega de carteirinha. Apoiar a candidata que diz ficar em cima do muro, que diz querer conversar com todos os setores da sociedade, que prega a conciliação de classes é ignorar o caráter classista que a luta libertária sempre deve ter.

6. O PT não é de esquerda: 
Votar no PT sob o argumento de que está votando na esquerda é apenas uma falácia ou mesmo ingenuidade. O PT faz alianças e governa com a direita e com toda a mais nojenta e parasitária classe empresarial do país. Começando com os vices que eles sempre escolhem e com aqueles que ocupam os seus ministérios, a lista passa por bandidos históricos de oligarquias tradicionais como Sarney, Calheiros, Gomes, Campos, Barbalho, Collor, Maluf, etc., nem preciso fazer uma lista disso. Para se eleger, a campanha do partido só é possível com o financiamento de banqueiros e de grandes grupos empresariais, sem o qual seria impossível chegar aonde chegou. 

7. Eleições atrasam a consciência revolucionária: 
Apesar de um sensível aumento do número de abstenções de 19% para 21% no segundo turno, a diminuição da porcentagem de votos nulos no segundo turno pode ser julgada como um forte indício disso. Os 10% do primeiro turno caíram drasticamente para 6% no segundo, quando o óbvio seria esse número aumentar a partir do momento em que as opções são reduzidas. Isso me leva a concluir que muitos daqueles que declararam não votar em nenhum dos candidatos, fraquejaram na hora de meter o dedo na urna quando ficaram sozinhos com ela (http://www.f5news.com.br/noticia.asp?ContId=247361). 
Muitos declararam o que chamaram de um “voto estratégico” em Dilma, por medo, para se evitar um retrocesso, um mal pior, que seria a vitória do burguês traficante Aécio Neves. Depois disso a luta libertária e antigovernista poderia continuar normalmente, só que de uma forma mais estruturada, com direitos assegurados, com um governo mais “sensível” a situação dos pobres, com menos sofrimento e repressão. Por esse “medo de uma desgraça maior”, alguns companheiros, até mesmo anarquistas (pasmem) chegaram a passar por uma crise existencial. Nessa hora, muitos militantes e companheiros “viram a casaca” ou são cooptados pela tentação de votar e de participar do processo eleitoral. 
No entanto, é absolutamente contraditório ser antiautoritário colocando alguém no poder, ser antigovernista elegendo governantes. As eleições burguesas devem ser sempre vistas como um atraso para todo o processo revolucionário. Sempre que há eleições burguesas, há uma tentativa de se manter o poder e toda a estrutura governamental da qual somos submetidos e da qual lutamos contra. Votar ou participar do processo eleitoral é legitimar todo esse sistema de abuso e dominação. Escolher o “menos pior” é votar para que tudo continue da maneira como está. Votar é votar pela manutenção do atual sistema político-social-econômico, não votar e propor a luta fora do sistema eleitoral é a melhor forma de se recusar a fazer parte de tudo isso. Seu voto é quem legitima esse sistema capitalista. Não votar, é, sobretudo, negar o sistema capitalista.

8. Conclusão:
Nesse suposto dilema, do qual é preciso escolher entre duas alternativas contraditórias, antagônicas ou insatisfatórias eu prefiro me apoiar em um velho provérbio judaico: “Quando só existem duas alternativas escolha a terceira”.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Em tempos de eleições, um convite à anarquia



A primeira indicação que dou é que os que observarem este link, que leiam. A palavra “anarquia” carrega consigo amargos significados que passam longe de ser o que é em realidade. O texto pode trazer, suponho eu, uma reflexão interessante à tod@s.

A descrença com o sistema eleitoral é visível. Uns, já o condenaram em sua totalidade, outros, lutam para se segurar nele elegendo “o menos pior”, ou “o que rouba, mas faz”; há ainda os que acreditam que com a escolha de um partido de “esquerda”, será possível uma modificação radical da sociedade. Acredito na sinceridade de cada um deles, e tento agora apresentar uma outra via, uma outra possibilidade que suponho poder dar outra perspectiva de todo o jogo de cartas marcadas que chamam de “eleições”.

A primeira pergunta que faço é: Qual o motivo de votarmos? Creio particularmente que esse movimento involuntário acontece devido ao slogan de que só existe política através do voto. Não é bem assim. Fazemos política de todas as formas possíveis, desde as decisões mais simples até as mais elaboradas. Este texto, aliás, é um texto político, pois emite uma opinião, uma ideia que busca ser reproduzida na realidade. Somos todos políticos! Não políticos profissionais, que vivem de palanques, bancadas, discursos vagos, etc., Somos políticos pois vivemos em sociedade, que exige nossa interação, nossa participação, e declaramos por isso que existe política além do voto! Querem reduzir a participação popular neste gigante teatro a uma mísera sequência de digitações de números.

Podemos citar infinitos casos onde a política que defendemos foi exercida em pequena, média e longa escala. Desde as assembleias estudantis, a casos onde toda uma população se juntou para fazer o encanamento de esgoto que a prefeitura negou realizar, assim como em Chiapas, onde o povo governa sem terem governantes, e se submete sem serem governados, através dos caracoles nos agrupamentos do Ejercito Zapatista de Liberación Nacional.

A lenda de que precisamos de governos, ou de governantes é uma mentira, uma farsa. Temos o potencial de decidir e fazer por nós mesmos.

A segunda pergunta que fazemos é: “Votar nulo” ou “não votar” muda algo? Em minha opinião, virtualmente sim; demonstra uma insatisfação com as metodologias de escolha de governantes, ou mesmo põe em xeque a necessidade de governantes; pode também indicar que nenhum dos que se colocaram a “disposição” representam os interesses de determinado indivíduo – o que automaticamente mostra a desigualdade deste sistema que privilegia uns, e exclui outros –. Mas isso só não basta. Na realidade, chega a ser ínfimo este “protesto”.

A propaganda anarquista sobre as eleições carrega consigo uma face destrutiva, e outra construtiva: Respectivamente, a primeira é inerente a campanha do não voto ou do voto nulo. Mas é preciso de uma resposta, uma consequência a este ato. Diante disso, surge a proposta de autogoverno: Criação de assembleias de bairro, fortalecimento de grêmios estudantis, centros acadêmicos, sindicatos, onde aqueles indivíduos que compõem aquele grupo possam opinar e modificar a realidade juntos.

Indicamos não votar ou votar nulo para “destruir” esta máquina de desigualdades em massa, e “construir” uma nova possibilidade de organização e política. É importantíssimo negar isto que nos oferecem como política através do voto nulo, ou mesmo não indo votar, mas o que queremos não acaba aí; na verdade, é apenas o começo do que pretendemos de verdade.

Nestes tempos de campanha eleitoral, entre o barulho dos carros de som, das bandeirinhas, dos santinhos distribuídos, dos comícios e debates infrutíferos onde se fala muito e não se faz nada, fazemos um convite sincero à reflexão e à ação; não ao “voto nulo” ou o “não voto” de forma vaga e sem efeitos; fazemos um convite à anarquia, a luta por um método organizativo onde tod@s decidam a melhor forma de resolver os próprios problemas, e façam a mudança que desejam por si mesmos, em coletividade, assim como não permitir que um ser humano viva do suor de outro ser humano.

NÃO VOTE, ORGANIZE-SE E LUTE!
O POVO VENCERÁ!

- Edgar Rodrigues, GEAPI.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

[Fortaleza] Anarquismo, Luta Social e Gênero: A saída à esquerda é nas ruas!




O Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí foi convidado a participar de um debate juntamente com outr@s organizações do Nordeste, que será realizado em Fortaleza-CE. Segue abaixo a chamada do evento:

O objetivo desse primeiro Seminário é o compartilhamento de experiências regionais objetivando a construção de possibilidades combativas de atuação social. É socializar os conhecimentos e práticas de atuação social, linkando atividades práticas de Organização Popular e de fortalecimento dos Movimentos Sociais dentro de um projeto Socialista e Libertário.

Programação:

Sábado 27/09/2014 - Recepção Cultural, às 19h. Local: Sede do Aparecidxs Politicos (Rua Instituto do Ceará, 164, Benfica)

Domingo 28/09/2014 - Seminário

Manhã (08h às 10h): Movimentos Sociais e Perifeira (Facilitação: Movimento Social FOME - Sobral/CE e Organização Resistência Libertária - RMFortaleza/CE)

Manhã (10h às 12h): Gênero e Anarquismo (Facilitação: Organização Resistência Libertária - RMFortaleza/CE)

Tarde (14h às 17h): A Outra Campanha: trocas de experiências entre os presentes.

Organização: Movimento Social FOME, Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí (GEAPI) e Organização Resistência Libertária (ORL-CAB)

O evento no facebook pode ser visualizado através do seguinte link

ANARQUISMO É LUTA!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

"A Politica"


 


A descrença com as eleições não é recente. Em Parnaíba, por exemplo, é possível perceber que esta realidade era vivenciada durante a República Velha. Em um jornal operário chamado "O Artista", os trabalhadores da cidade litorânea piauiense desdenham deste mecanismo de controle social através do artigo "A Politica", lançado na primeira edição deste, datado de 15 de Agosto de 1919: 

Eis aqui um interessante questionário:
- Que é a politica?
- É a sciencia que ensina a viver do orçamento.
- Que é orçamento?
- É a panella nacional onde todos desejam metter a colher.
- Como se divide a politica?
- divide-se em partidos.
- Pode dizer-me quantos partidos há?
- Dois, o dos que estão em cima e o dos que estão em baixo.
- Costumam inverter-se estas funcções politicas?
- Sim, senhor, por meio de uma revolução.
- E então, o que succede?
- Succede que aquelles que esmagaram, gritam, e os que gritaram, esmagam.
- Obtem-se, por meio dessa inversão, algum beneficio politico?
- Não, senhor, porque a ordem dos factores não altera o producto.


É válido ressaltar que a mesma matéria foi publicada novamente em 24 de Junho de 1933, desta vez no jornal anarquista "A Plebe", fundado por Edgard Leuenroth em São Paulo, e disponível no livro ABC do Sindicalismo Revolucionário, de Edgar Rodrigues (p.71).

Hoje em 2014, apesar das diversas modificações sociais que sofremos ao longo de décadas, a descrença com a política institucionalizada só aumenta. Em Junho do ano passado, esta descrença foi às ruas, ergueu barricadas, e percebeu que a modificação da realidade não se dá elegendo candidatos. Os sonhos e as reivindicações não cabem nas urnas. É preciso buscar outras formas de ação política, fora dos tramites da velha burocracia partidária de disputa do Estado. 

Os políticos, governantes e empresários, a todo tempo querem que acreditemos que "nossa maior arma é o voto", o que não passa de uma grande mentira, e que não é sequer uma "arma". Escolher entre cinza claro ou cinza escuro não parece uma boa forma de mudar. É preciso encontrar outros tons e outras cores na política, que se faz não em palanques, mas sim no dia-a-dia, organizando e fortalecendo assembleias de bairro, conselhos populares, grêmios estudantis, centros e diretórios acadêmicos, sindicatos, e desenvolvendo formas de propagar as ideias de justiça, igualdade e liberdade. 

Se votar mudasse algo, seria proibido.
Não vote, organize-se e lute!