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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

[THE] Roda de diálogo - Cantos e contos da História: Anarcofeminismo, História e ações.


O GEAPI dá seguimento as atividades que vem se realizando na Biblioteca libertária, e convida tod@s para o evento: Roda de diálogo - Cantos e contos da História: Anarcofeminismo, história e ações.
O evento busca apresentar o anarcofeminismo, corrente do anarquismo que reforça a inserção e participação da mulher na luta social e consequentemente sua autodeterminação. 
A atividade consistirá em três momentos: Uma apresentação do anarcofeminismo, seguido da exibição do documentário "Minha vida em cor de rosa", e após este, um debate aberto. 
Ocorrerá dia 24.10, sexta-feira, na Biblioteca Libertária (praça dos skatistas, Fundação Nacional do Humor), a partir das 14h.
Sejam muito bem vind@s!

link do evento no facebook: clique aqui

ANARQUISMO É LUTA!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A Revolução triunfará em Kobanê! (DAF - Ação Revolucionária Anarquista)


O DAF - Devrimci Anarşist Faaliyet (Ação Revolucionária Anarquista) publicou em 8 de outubro um comunicado sobre a situação de Kobanê, e a luta revolucionária curda contra o Estado Islâmico (ISIS), a qual traduzimos a partir do site Bitácora Anarquista, do Peru. Esperamos ajudar dentro de nossas possibilidades os companheiros e companheiras que lutam contra o ISIS no Oriente Médio, de forma a reforçar o chamado internacionalista para que acompanhem e apoiem a resistência do DAF e do povo de Rojava e Kobanê.

É o 24° dia dos ataques do ISIS em Kobanê. Enquanto as forças de defesa popular em todos os povos da fronteira estão fazendo um escudo humano para salvar Kobanê dos ataques, todo o mundo, em todas partes da região que vivemos, se levantam para que Kobanê não caia.

Estamos fazendo um escudo humano há três semanas em Boyde, aldeia ao oeste de Kobanê. Os últimos dois dias, as explosões e sons dos enfrentamentos foram intensos nos distritos exteriores de Kobané e no centro da cidade. Durante este período de intensos enfrentamentos, as forças militares aumentaram seus ataques contra os sentinelas que fazem um escudo humano nos povoados fronteiriços. Soldados do Estado Turco estão atacando com bombas de gás lacrimogêneo aos que cercam a fronteira de ambos os lados, incluindo o povoado onde nos encontramos, que foi atacado na terça. Os soldados também utilizaram munições reais de vez em quando em seus ataques e feriram pessoas.

Estes ataques contra aldeias fronteiriças significam especialmente que as forças do ISIS tem entrada permitida através da fronteira. O apoio da República da Turquia ao ISIS é claramente visível aqui, tal como é lá. Obviamente não é a  única coisa que é clara. Aprendemos que um dos líderes do ISIS que comandou o ataque a Kobanê foi assassinado pelas forças YPJ/YPG. entretanto, os choques hoje em dia são tão intensos como antes e continuaram durante todo o dia. Os sons dos enfrentamentos quase nunca pararam. Sem dúvida, agora sabemos que as explosões são feitas pelas forças YPJ / YPG. É informado que as forças YPJ/YPG esvaziaram taticamente as ruas de Kobanê no centro da cidade e emboscaram o ISIS, neutralizando-os com táticas exitosas.

Todo mundo está entusiasmado com o que se diz nas reuniões do povoado; uma delas é o medo que o ISIS tem das mulheres guerrilheiras. O ISIS representa o Estado, o terror, o massacre, e também o patriarcado, é claro. Devido a sua crença que não podem ser "mártires" quando são mortos por uma guerrilheira, uma lutadora do YPJ, tem medo de encontrar-se com as forças do YPJ. Porque quando as encontram, as mulheres que "lutam" contra eles não mostram piedade com o ISIS, Esta é a liberdade criada contra o patriarcado das combatentes do YPJ.

A revolta que nos últimos 2 dias se difundiu em todo o Curdistão e em todas as cidades da Anatólia, nos faz perceber quanto o povo organizado pode ser invencível. Estas revoltas criam confiança na possibilidade revolucionária em Kobanê, nas aldeias de fronteira e em toda a Rojava. Quando uma irmã ou um irmão caem na batalha, a raiva e a força logo tomam o lugar da dor. Aos réquiens de joelhos seguem as danças helays nas quais o bater dos pés é tão forte e veloz que pode quebrar a terra. Assim a nossa dor explode em raiva, cada vez mais forte, cada vez mais veloz.

Isso é o que precisamos aqui. Em nome da liberdade e da revolução tão almejada, apesar de tudo.


Viva a Resistência Popular de Kobanê!

Viva a Revolução Popular de Rojava!

Viva nossa Ação Revolucionária Anarquista!


Aconselhamos aos que possuem facebook que acompanhem o conflito pelas páginas:


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Por que o mundo está ignorando os curdos revolucionários na Síria?



Em meio a zona de guerra síria um experimento democrático está sendo derrubado pelo ISIS. Que o resto do mundo não se dá conta disso é um absurdo.

David Graeber.

Em 1937 meu pai se ofereceu como voluntário para lutar nas Brigadas Internacionais em defesa da República espanhola. Um possível golpe fascista havia sido detido temporariamente pela sublevação dos trabalhadores, encabeçada pelos anarquistas e socialistas, e em grande parte da Espanha uma autêntica revolução social se produziu, o que levou a cidades inteiras em autogestão democrática, indústrias sob o controle dos trabalhadores, e o fortalecimento radical das mulheres.

Os revolucionários espanhóis esperavam criar uma visão de uma sociedade livre que todo o mundo pudesse seguir. Em troca, as potencias mundiais declararam uma política de "não intervenção" e mantiveram um bloqueio rigoroso da república, inclusive depois que Hitler e Mussolini, signatários ostensivos, começaram a mandar tropas e armas para reforçar o lado fascista. O resultado foram anos de guerra civil que terminou com a derrota da revolução e alguns dos massacres mais sangrentas de um século sangrento.

Eu nunca pensei que veria, em minha própria vida, ocorrer a mesma coisa. Obviamente, nenhum acontecimento histórico sucede realmente duas vezes. Há mil diferenças entre o que ocorreu na Espanha em 1936 e que está acontecendo em Rojava, as três províncias curdas em grande parte do norte da Síria, hoje. Mas algumas das semelhanças são tão surpreendentes, e tão angustiantes, que sinto que me incumbe, como alguém que cresceu em uma família cuja política eram em muitos aspectos definida pela revolução espanhola, dizer: Não podemos deixar que termine da mesma maneira outra vez.
A região autônoma de Rojava, tal como existe hoje em dia, é um dos poucos pontos brilhantes - na realidade um muito brilhante - que emergiram da tragédia da revolução síria. Depois de haver expulsado os agentes do regime de Assad em 2011, e apesar da hostilidade de quase todos seus vizinhos, Rojava não só mantém sua independência, mas é um notável experimento democrático. As assembleias populares foram criadas como os órgãos de tomadas de decisão em última instância, os conselhos são selecionados com um cuidadoso equilíbrio étnico (em cada município, por exemplo, os três altos oficiais tem que incluir um curdo, um árabe e outro cristão sírio ou armênio, e ao menos um dos três tem que ser uma mulher), existem conselhos juvenis e de mulheres e, em um notável eco da organização armada Mujeres Libres da Espanha, um exército feminista, a mítica "YJA Estrela" (a "União de Mulheres Livres", a estrela faz referência à antiga deusa da mesopotâmia Ishtar), que levou a cabo uma grande parte das operações de combate contra as forças do Estado Islâmico.

Como pode ocorrer algo assim e, todavia ser quase totalmente ignorado pela comunidade internacional, incluindo, em grande parte, pela esquerda internacional? Principalmente, ao parecer, devido a que o partido revolucionário de Rojava, o PYD, trabalha em aliança com os Trabalhadores curdos da Turquia (PKK), um movimento guerrilheiro marxista que desde os anos de 1970 esteve envolvido com uma grande guerra contra o Estado turco. A OTAN, os EUA, e a União Europeia o classificam oficialmente como uma organização "terrorista". Enquanto isso, os esquerdistas em grande maioria os descrevem como stalinistas.

Mas na realidade, o próprio PKK já não é nada remotamente parecido com o velho partido leninista vertical que uma vez foi. Sua própria evolução interna, e a conservação intelectual do seu fundados, Abdullah Ocalan, que esteve em uma prisão em uma ilha turca desde 1999, o levou a trocar por completo seus objetivos e táticas.

O PKK declarou que já nem sequer trata de criar um estado curdo. Em seu lugar, inspirado em parte pela visão do ecólogo e anarquista Murray Bookchin, adotaram a visão de "municipalismo libertário", chamando os curdos a criarem comunidades livres, autônomas, baseadas nos princípios da democracia direta. que logo se uniriam através de fronteiras nacionais - as quais se espera que se tornem progressivamente insignificantes. Desta forma, propuseram, a luta curda poderia se converter em um modelo para um movimento mundial até uma autêntica democracia, economia cooperativa, e a dissolução gradual da nação-estado burocrática.
Desde 2005, o PKK, inspirado na estratégia dos rebeldes zapatistas em Chiapas, declarou um alto ao fogo unilateral com o Estado turco e começou a concentrar seus esforços no desenvolvimento de estruturas democráticas e os territórios que já controlavam. Alguns questionam o quão isso é sério na realidade. Claramente permanecem elementos autoritários. Mas o que se sucedeu em Rojava, onde a revolução síria deu aos radicais curdos a oportunidade de levar a cabo tais experimentos em um grande território, ao lado, sugere que isto é qualquer coisa menos uma fachada. Conselhos, assembleias e milícias populares se formam, a propriedade do regime foi entregue às cooperativas administradas pelos trabalhadores - e tudo isso apesar dos contínuos ataques por parte das forças de extrema direita do ISIS. Os resultados cumprem com qualquer definição de uma revolução social. No Oriente Médio, pelo menos, estes esforços se fazem notar: Sobretudo depois que as forças do PKK e Rojava interviram para abrir-se exitosamente um caminho através do território do ISIS no Iraque para resgatar os milhares de refugiados yezidis presos no Monte Sinjar depois que os peshmerga locais fugiram do campo. Estas ações foram amplamente celebradas na região, mas notavelmente quase não chamou a atenção da imprensa europeia e estadunidense.

Agora, o ISIS voltou, com dezenas de tanques de fabricação estadunidense e artilharia pesada tomadas das forças iraquianas, para se vingarem contra muitas dessas mesmas milícias revolucionárias em Kobané, declarando sua intenção de massacrar e escravizar - sim, literalmente escravizar - toda a população civil. Enquanto isso, o exército turco está na fronteira evitando que reforços ou munições cheguem aos defensores, e os aviões norte-americanos passam por cima zombando, lançando alguns ocasionais, simbólicos e diminutos bombardeios - ao parecer, só para poder dizer que não é certo que não fizeram naca como um grupo que diz estar em guerra com os defensores de um dos grandes experimentos democráticos do mundo.

Se há um paralelo hoje com os superficiais devotos, falangistas assassinos de Franco, quem seriam senão ISIS? Se há um paralelo com as Mujeres Libres da Espanha, quem poderiam ser senão as mulheres valentes que defendem as barricadas em Kobané? O mundo - e mais escandalosamente, a esquerda internacional - será realmente cúmplice de deixar que a história se repita?



Tradução de: http://zip.net/brpPyy
Acompanhe pelo facebook a resistência curda pela página Anarchists in Support of Rojava-Kurdistan: http://zip.net/bmpN7Y

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

[Fortaleza] Anarquismo, Luta Social e Gênero: A saída à esquerda é nas ruas!




O Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí foi convidado a participar de um debate juntamente com outr@s organizações do Nordeste, que será realizado em Fortaleza-CE. Segue abaixo a chamada do evento:

O objetivo desse primeiro Seminário é o compartilhamento de experiências regionais objetivando a construção de possibilidades combativas de atuação social. É socializar os conhecimentos e práticas de atuação social, linkando atividades práticas de Organização Popular e de fortalecimento dos Movimentos Sociais dentro de um projeto Socialista e Libertário.

Programação:

Sábado 27/09/2014 - Recepção Cultural, às 19h. Local: Sede do Aparecidxs Politicos (Rua Instituto do Ceará, 164, Benfica)

Domingo 28/09/2014 - Seminário

Manhã (08h às 10h): Movimentos Sociais e Perifeira (Facilitação: Movimento Social FOME - Sobral/CE e Organização Resistência Libertária - RMFortaleza/CE)

Manhã (10h às 12h): Gênero e Anarquismo (Facilitação: Organização Resistência Libertária - RMFortaleza/CE)

Tarde (14h às 17h): A Outra Campanha: trocas de experiências entre os presentes.

Organização: Movimento Social FOME, Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí (GEAPI) e Organização Resistência Libertária (ORL-CAB)

O evento no facebook pode ser visualizado através do seguinte link

ANARQUISMO É LUTA!

sexta-feira, 18 de julho de 2014

[TERESINA] II Simpósio ''Histórico das ideias e do movimento anarquista'': Anarcofeminismo e Anarco Queer



Convidamos a todxs para participarem do II Simpósio ''Histórico das ideias e do movimento anarquista' feito pelo GEAPI, que será realizado dia 30 na UFPI às 14h na sala de vídeo 1, onde passaremos alguns curtas e as 18h na Praça de Filosofia acontecerá um debate que abordará dessa vez outras vertentes anarquistas. Trazendo à tona o debate sobre o ANARCOQUEER, que tem como tática a libertação sexual, se opondo a todas as imposições de uma sociedade heteronormativa e compreendo que a identidade de gênero é uma construção social. Também nesse espaço será contemplado o ANARCOFEMINISMO, que tem como tática emancipação da mulher Cis e Trans através da desconstrução do patriarcalismo que vêem as mulheres como passivas e submissas, excluindo toda e qualquer decisão da mulher sobre sue corpo, se opondo também ao capitalismo que se apropriou de opressões para lucrar e excluir as mulheres pobres.

PROGRAMAÇÃO:

14:00h: 
Exibição dos documentários:
- Amapô;
- Heterofobia;
- Maioria Oprimida.

18:00h:
Roda de diálogos sobre os temas, na praça de Filosofia do CCHL-UFPI

Evento no facebook aqui

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

As relações econômicas de sexo - Voltairine de Clayre

(Com a colaboração mais que importante da companheira Maria Tereza, a tradução deste texto foi possível. Nós, do Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí a agradecemos imensamente!!!)


Para o editor do The Open Court:

Possuidora de um pouco mais de interesse na questão entre os sexos, e concordando com o Professor Cope que qualquer proposta para a melhoria da condição das mulheres deve ser discutida e decidida por mulheres, eu sou movida a certas observações sugeridas pelo seu artigo "The Material Relations of Sex" no primeiro número de The Monist.

Durante toda a leitura fiquei impressionada com seu reconhecimento inconsciente de uma questão profunda, que, além da inferioridade da mulher, determina as relações entre os sexos. Isto é claramente evidente no parágrafo aludindo ao sistema comunista de produção e distribuição da riqueza, em que ele admite a possibilidade de relações sexuais promíscuas. Embora concorde com o Professor Cope que instituir o comunismo seria um golpe decidido no progresso, uma vez que o progresso consiste em uma ampliação constante da liberdade individual enquanto o comunismo invoca direção autoritária, no entanto, sustento em admitir a possibilidade de variedade nas relações sexuais sob o regime comunista, ele admitiu que o atual arranjo social do sexo é a consequência necessária de nossas condições econômicas.

Postulando o fato da inferioridade física e mental da mulher, o nosso escritor não vê possível ultimato para ela, mas o serviço de maternidade e de procriar em troca de "proteção e apoio" de algum homem ou conjunto de homens, chamado de "Estado". Isso nos leva imediatamente a duas questões fundamentais:

A inferioridade da mulher é a causa, ou o efeito, de sua sujeição econômica?

A independência econômica para as mulheres é um possível ideal?

Eu acho que pode ser claramente comprovado que a constituição mental da mulher, como a do homem, nunca deixou de aumentar onde restrições sobre a liberdade igualitária foram derrubadas. Sempre mulher teve a mesma oportunidade que o homem, os resultados provaram que suas capacidades para o desenvolvimento são tão ilimitadas quanto o dele. Pode-se objetar que estou instanciando casos excepcionais, em vez de lidar com tipos. Minha resposta é que só em casos excepcionais tenham apreciado as mulheres as mesmas oportunidades que os homens. Contudo estes casos são suficientemente numerosos para justificar a conclusão de que a natureza não oferece qualquer obstáculo insuperável para a igualdade dos sexos em relação ao cérebro, e que a "inferioridade" na mulher normal deve ser considerada como o resultado de sua condição econômica dependente, criada pelas restrições artificiais do homem.

Relacionando a incapacidade física dos sexos, é mais difícil mostrar os benefícios da liberdade, já que até as mais avançadas mulheres são tão atrapalhadas pela fragilidade, vestimenta, e costumes que nós mal temos dados suficientes para a opinião a respeito das possibilidades dela de desenvolvimento físico. Assim como nós poderíamos indicar que grande parte da atual incompetência durante os períodos de gestação e amamentação, é devido ao defeituoso atual arranjo social que condena a mulher ao penoso trabalho doméstico individual, e todo trabalho submisso da muito elogiada vida familiar.

Entretanto, até a inferioridade física não é prova da eterna barreira para a independência econômica que o professor Cope faz disso. O progresso industrial de hoje não exige muito de força física como a habilidade. Sem dúvida o elefante tem força física superior que a do homem, já que ele não é concorrente do homem eu não preciso perder tempo para demonstrar. Da mesma forma o Hercules dos tempos passados poderia não ter lugar na competitiva indústria de hoje, simplesmente porque ele poderia não estar adaptado a esse ambiente. Concedendo a presente invalidez física da mulher, isso de modo algum segue que, com oportunidade igual, ela seria incapaz de competir com o homem nos campos da indústria produtiva. De fato, uma afirmativa comum dos operários é a de que eles se mantêm competindo e de que, pela lei da sobrevivência do mais adaptável, já expulsaram homens de diversos ramos de empregos, como indústrias têxteis, sapatarias, etc. Nenhuma grande quantidade de força é necessária, exceto habilidade e paciência, e é essa a evidencia universal dos fiscais de que mulheres são igualmente hábeis e mais confiáveis.

Existe uma classe de reformadores econômicos chamados anarquistas que argumentam que, com oportunidade para explorar a natureza lançada livre para a raça humana, as horas de trabalho seriam reduzidas a ponto de permitir alguém produzir o suficiente para satisfazer todas as suas necessidades em três horas de trabalho por dia. Isso com nosso maquinário atual, as possibilidades de redução futuras são deixadas para desenvolvimentos futuros. Eles também argumentam que tal liberdade deve necessariamente resultar na constante trabalho-demanda, assim assegurando o trabalhador contra o atual pesadelo da desocupação involuntária. Sob tais condições, tendo em mente que a constante de deslocamento de força física pelas máquinas, mantem reduzindo a responsabilidade física de trabalho produtivo, a independência econômica das mulheres se torna um ideal concebível e toda questão de associação de sexos muda. Quando a mulher compreender sua independência, casamento não será mais uma questão de “proteção e suporte,” que o professor Cope declara ser a base de ser uma esposa monogâmica. Isso se tornará uma questão de mutual cooperação, baseada, nos deixa esperar por algo melhor que a venda dos poderes da maternidade, e reivindicando a mesma bandeira para homem e para mulher.

Se a monogamia ou variedade irá então obter, depende de qual desses sistemas produz o melhor tipo de humanidade. No presente isso é impossível decidir, uma vez que sem independência da mulher não pode haver igualdade, e sem igualdade, nenhum verdadeiro ajuste relações de sexos.

Voltarine de Cleyre



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O anarcofeminismo: Pensando em anarquismo, Deirdre Hogan

Um princípio importante do anarquismo e o que é mais diferente dos outros tipos de socialismo é a ênfase na liberdade e as relações sociais não hierárquicas. É vital no anarquismo a rejeição de qualquer hierarquia de poder entre homens e mulheres. Os anarquistas acreditam que a liberdade de um está baseada na liberdade de todos, então não pode existir sociedade anarquista sem a extinção de todas as estruturas de dominação e exploração, incluindo naturalmente opressão das mulheres. Como anarquistas, acreditamos que os meios de determinam os fins. Isso significa que nós não esperamos uma revolução vindoura para resolver os problemas de sexismo, mas vemos que é importante para lutar contra ele aqui e agora. Como anarquistas, nos esforçamos para garantir que ambas, nossas próprias organizações e também aquelas campanhas em que estamos envolvidos, estejam livres de sexismo e hierarquias de poder e que todos os membros têm igual poder de decisão e ação. 

Reconhecemos que a plena participação das mulheres no movimento anarquista e nas lutas sociais atuais é muito importante. Para construir a sociedade do futuro as mulheres devem estar envolvidas em sua criação e, é claro, sem a participação de metade da população não haverá revolução social. Como acreditamos que a emancipação da classe trabalhadora será obra da classe trabalhadora, também vemos que, essencialmente, o desenvolvimento, a liberdade, e a independência da mulher devem vir de si mesmas. Engajar-se na luta política como um ato de fortalecimento. Muitas mulheres na sociedade de hoje não creem que podem ter um papel fundamental para mudar as coisas. No entanto, se envolver, sendo parte - agitando, educando e organizando - nós começaremos a tomar o controle de nossas próprias vidas no processo ativo de luta para mudar a sociedade injusta em que vivemos. 

Somente em uma sociedade anarquista trabalha a base para que a opressão da mulher deixe de existir. Isso ocorre porque as mulheres, devido seu papel reprodutivo, sempre serão mais vulneráveis  que os homens na sociedade capitalista, que se baseia na necessidade de aumentar os lucros. O direito ao aborto, licença maternidade remunerada, instalações de berçário e creche, etc., Em suma, tudo o que seria necessário para garantir a igualdade econômica para as mulheres sob o capitalismo, sempre será especialmente relevante para as mulheres. Portanto, em geral, as mulheres são vistas como 'menos econômicas' do que os homens e mais suscetíveis a ataques sobre os ganhos, como são as instalações em berçários, etc. 

Além disso, as mulheres não podem ser livres até que tenham total controle sobre seus próprios corpos. Mesmo sob o capitalismo, o direito ao aborto nunca são garantidos. Mesmo que haja progresso nesta área elas podem ser atacadas, como ocorre com o direito ao aborto nos EUA. A opressão das mulheres sob o capitalismo tem, assim, uma base econômica e sexual. A partir dessas raízes, as causas da opressão das mulheres, outras formas de opressão, como por exemplo, a opressão ideológica das mulheres, a violência contra as mulheres, etc. Isso não significa dizer que os pensamentos sexistas simplesmente desaparecerão com o fim do capitalismo, mas apenas com o fim do capitalismo podemos livrar a sociedade de um prejuízo institucional que continua propagando e promovendo sexismo. 

Como uma sociedade anarquista não será impulsionado pelo lucro, então, por exemplo, não haverá nenhuma sanção econômica para ter filhos ou quer passar mais tempo com eles. O acolhimento de crianças, trabalho doméstico, etc., Pode ser visto como uma responsabilidade de toda a sociedade e, assim, dar às mulheres e aos homens mais opções em geral. 

Anarquismo/anarcofeminismo¹ liga a luta contra a exploração de classe e a opressão das mulheres. A verdadeira liberdade, para mulheres e homens, só pode ser alcançada por uma sociedade sem classes, onde os locais de trabalho são autogeridos, a propriedade privada é abolida e as pessoas que tomam as decisões são as mesmas pessoas que são afetadas por elas. 

É evidente que a luta pela liberdade das mulheres exige uma luta de classes por parte dos trabalhadores/as. E, inversamente, a guerra entre as classes só pode dar frutos se ao mesmo tempo se desenvolve uma luta para libertar as mulheres da opressão. 

 ¹ Anarquismo e anarcofeminismo é a mesma coisa, o segundo só enfatiza o feminismo que há no primeiro.


Fonte: Anarco-Feminismo: Pensando en anarquismo, Deirdre Hogan (The anarchist library)

A mulher, o matrimônio e a família - Mikhail Bakunin

Igualdade de direitos para as mulheres. Sou partidário, da emancipação plena das mulheres e sua igualdade social com os homens.

A expressão "igualdade social com os homens" implica que, juntamente com a liberdade, pedimos iguais direitos e deveres para o homem e para a mulher, ou seja, o nivelamento dos direitos das mulheres, tanto político como econômico e social, com os do homem, em consequência, desejamos a abolição da lei familiar e matrimonial, e da lei eclesiástica tanto quanto a civil, indissoluvelmente ligadas ao direito de herança.

Abolição da família jurídica. Ao aceitar o programa revolucionário anarquista - único que oferece, ao nosso entender, as condições para a emancipação real e completa do povo comum - e convencidos de que a existência do Estado, sob qualquer forma, é incompatível com a liberdade do proletariado e impede a união internacional fraterna das nações, expressamos a necessidade de abolição de todos os Estados.

A abolição dos Estados e do direito jurídico implicará necessariamente a abolição da propriedade individual hereditária e da família jurídica com base nesta propriedade, porque nenhuma dessas instituições suporta a justiça humana.

Livre união matrimonial. [Contra o casamento por compulsão levantamos a bandeira da união livre.] Estamos convencidos de que, abolindo o casamento religioso, civil e jurídico, restauraremos a vida, a realidade e a moralidade casamento natural com base unicamente no respeito humano e na liberdade de duas pessoas: Um homem e uma mulher que se amam. Acreditamos que, ao reconhecer a liberdade de ambos os cônjuges para separarem-se quando quiserem, sem pedir permissão de ninguém para fazê-lo - e ao negar da mesma forma a necessidade de qualquer permissão para juntar-se em casamento, e rejeitar em geral a interferência de qualquer autoridade nesta união - unimo-os mais um ao outro. E estamos convencidos também, de que quando já não exista entre nós o poder coercitivo do Estado para forçar os indivíduos, associações , comunas, províncias e regiões para conviver contra a sua vontade , haverá entre todos uma união muito mais estreita, uma unidade mais viva, real e poderosa do que a imposta pelo esmagador poder estatal.

A educação das crianças. Com a abolição do matrimônio, surge a questão da educação das crianças. Sua educação, desde a gravidez da mãe até a maturidade, e formação e educação, igual para todos - uma formação intelectual e industrial onde se combinem a capacitação para o trabalho manual e mental - devem corresponder fundamentalmente à sociedade livre.

A sociedade e as crianças. As crianças não são propriedade de ninguém, nem seus pais, nem a sociedade. Só pertencem a sua própria liberdade futura. Mas nas crianças esta liberdade ainda não é real; é apenas uma liberdade potencial. Pois uma liberdade real - isto é, a consciência plena e sua realização em cada indivíduo, baseada principalmente no sentido da própria dignidade e em um autêntico respeito pela liberdade e dignidade dos outros, ou seja, baseada na justiça - somente pode ser desenvolvida nas crianças através do desenvolvimento racional da sua inteligência, caráter e vontade.

Conclui-se que a sociedade, cujo futuro depende inteiramente da adequada educação e instrução das crianças e que, portanto, não só tem o direito, mas também a obrigação de cuidar delas, é o única guardiã das crianças de ambos os sexos. E como a futura abolição dos direitos de herança converterá a sociedade como a única herdeira,  esta terá que consider como uma de suas primeiras obrigações o fornecendo todos os meios necessários para a manutenção, formação e educação de crianças de ambos os os sexos, independentemente da sua origem ou de seus pais.

Os direitos dos pais se limitarão a amar seus filhos e exercer sobre eles a única autoridade compatível com esse amor, na medida em que esta autoridade não prejudique a sua moralidade, seu desenvolvimento mental ou sua liberdade futura. O casamento como ato civil e político, como qualquer outra intervenção da sociedade em questões amorosas, está destinado a desaparecer. As crianças serão confiadas - por natureza, e não por direito - às suas mães, sendo a prerrogativa destas sob a supervisão racional da sociedade.


Fonte: La mujer, el matrimonio y la família, Mijaíl Bakunin. The anarchist library.